sexta-feira, 4 de março de 2011

Ele e Ela

No principio eram palavras
Os dias iam passando e as palavras tomavam forma as frases soltas eram laços cada vez amis proximos...

ela dizia:

É bom termos alguém que nos sinta...e nos ofereça uma linda bola de sabão que ilumina o dia num arco-íris de cores.

ele respondia:

A subtileza de quase escrever com destino...
Don't ask me why.

Por ti, por mim por nós.
O poder de sentir sem tocar,
O poder estar sem saber
O poder ver sem olhar
Num outro, qualquer lugar
Saber sorrir
Divagar...caminhar
O coração que canta
Baixinho uma canção
E o sentir é apenas o ritmo
A melodia que apenaseu, tu e nós sabemos...
Porque a criamos
No silêncio
No vazio
Do querer ao poder
De poder querer
Sorrir!Sonhar e viver!
Já não me sinto tão só!
Talvez um dia me habitue ao frio na barriga, sempre que envio um escrito...

e ele respondeu:

Talvez um dia me habitue ao calor q sinto qdo recebo um "escrito",ou ao frio que sinto quando não recebo nada...

E ela: sorriu !

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

No tempo em que as pedras falavam

No tempo em que as pedras falavam,os corpos eram simples luz.
Sempre que os corpos se tocavam,nascia um novo planeta e com ele, uma lua nova.
No tempo em que as pedras sentiam,as palavras não existiam.
Eram simples acordes de musica,que faziam o universo dançar.
Do tempo em que as pedras viam,ficou o oráculo, onde inscreveram os nossos nomes.
Todos os que já tivemos e teremos,até ao fim de todos os tempos.
Mas veio o tempo,em que as pedras calaram a sua sabedoria,para que os corpos se tornassem matéria tangível.
Assumiram os dons das pedras,mas esqueceram o seu nascimento de luz.
Apenas o sol e as estrelas do céu,os recordam docemente, desse estado de alma.
Quando os nossos corpos se tocam na noite fria,são brasas incandescentes que crepitam ao luar.
Percorres o meu corpo com as tuas mãos,devagar, como se de brisa se trata-se incendiando a terra escura e virgem.
Como um vulcão adormecido acordas-me devagar até à explosão, até o magma descer as colinas...
Sem pressa ou devaneio, como as águas cristalinas das fontes, bebes sopro de vida que vibra em mim.
Um doce encantamento...na terra dos sentidos.
Fecho os olhos, apenas para te poder sentir.
Para poder partir e chegar aos teus braços como se da primeira vez se trata-se...
Fecho os olhos e confio.
Deixo que me leves pelas pedras de sonho, que com o passar do tempo se transformam em areia fina e brilhante.
A areia que abraça o mar ...o mar que beija a areia... arde e queima ...por momentos somos luz, nasce um novo planeta e com ele uma lua nova.
Por momentos as pedras falam, vêm e sentem e dentro de nós um turbilhão como se tudo volta-se ao principio dos tempos.

A eternidade de um simples momento

Hoje queria ficar ali…Abri os olhos…A batida cardíaca acalmou o ritmo,
A respiração tornou-se lenta,
lambi os lábios secos pelo calor ou pela emoção.
Ao longe um pássaro parecia chamar,
O nascer do sol em tons de laranja…
De um lado o imenso azul-marinho,
Do outro as colinas e as planícies.Para sul soprava o vento
Abri os braços e a voar, dançando
Um abraço intenso, doce sensação.
A essência do mundo na minha mão.
Uma pequena semente
Um desejo de magia,
Naquele momento…
Nada mais, ninguém mais existia.
O beijo da verdade fez-me então despertar.
Percorri todo o caminho de volta,
Com um sorriso feliz, mas contido.
Revendo cada película, devagar…
A emoção, a imagem…
A Canção do vento
A Luz do mundo
O Mar de desejos
A planície dos secretos pensamentos
A terra dos sentidos
A eternidade de um simples momento.
Adormeci novamente, sorrindo, esperando um novo amanhã.
Ali fui feliz!

Aqui sou eu!

Gosto de fechar os olhos e sentir o vento.
Abrir os braços ao longo do corpo …como asas.
Imóvel como uma estatua
Deixar fluir o reflexo do sorriso na imensidão.
Apenas a linguagem do corpoApenas a reacção às forças da natureza…
Sentir o vento percorrer a minha alma.
Como uma carícia, inocente e pura.
Sou novamente criança.
E corro livre pela praia deserta, sorrindo.Sinto-me cansada e resolvo parar,o sol caí,
E eu decido assistir ao espectáculo que se proporciona,
O mar…à minha frente canta.
O vestido branco move-se como se tivesse alma…Os meus pés na areia ainda quente.
As gaivotas vêm em bando para a areia.Sento-me e fico ali,Cada imagem gravada na minha memória.
Aos poucos caminho ao encontro da noite que avança devagar.
Uma paz interior.
Os meus olhos sorriem como se uma estrela tivesse acabado de nascer.
Uma melodia única aqui…encontro as minhas asas.
Voou…e sou parte de algo único.
Sem passado, nem futuro…aqui: impera o presente.
Aqui eu sou!

Teatro

Olhei-te nos olhos e vi um brilho,
Olhas-te como se visses o mundo a derreter.
Envergonhada virei a cara para o canto da sala, fingido não perceber.
Fugi enquanto pude do teu olhar .
No entanto no virar da esquina do corredor esbarraste comigo.
Entornei um pouco de champanhe no vestido…sorri e tu tiraste o lenço do bolso de forma atrapalhada…
Desculpe! – Disseste -Vou até à varanda, quer-me acompanhar?
A noite estava quente e a rua cheia de gente.
Gente que gritava euforicamente após um concerto de musica alternativa.
Sorri discrepâncias de espaços…no mesmo tempo.
As t-shirt´s contrastavam com os fato e com os vestidos compridos.
O teatro é lindo os veludos, a madeira do chão…
Charme e sedução.
Entre nós o silêncio e sorrisos cúmplices de uma noite de verão.
Os nossos olhos fugiram, assim como as nossas palavras.
Felizmente que a Maria chegou quebrando o gelo:
Vamos abrir bolo.
E nós fugimos cada um para seu lado.
As máquinas fotografias registavam o momento com sede de movimento.
Os pares da moda mostravam-se alegres e sorridentes…
Sentei-me no sofá de veludo vermelho e sentaste-te ao meu lado.
Tirei o leque e abanei tentando disfarçar o quanto pude as faces rubras e o sorriso.
Guardei o leque e pensei: Maria salva-me.
Mas a Maria não veio.
E nesse instante viraste-te para mim.
Nos teus olhos o desejo era maior que as palavras.
Tentas –te balbuciar algo…
Tapei-te a boca
-Não digas nada…!
Descemos as escadas e abandonamos o Teatro de luz, misturamo-nos com as pessoas na rua e riamos, como crianças.
Apetece-me a andar…!
Eu de saltos altos e vestido comprido…deite o braço ansiando algum conforto.
Descemos as ruas antigas, até chegarmos aos Tejo.
O silêncio voltou…não me largaste o braço.
Ficamos ali a olhar a lua.
Deste-me a mão.
Pegas-te a outra mão, ficamos ali em frente um ao outro sem espaço para palavras.
Os teus olhos reflexo dos meus, faiscavam.
E aos poucos, devagar os nossos lábios tocaram-se.

Choque frontal

Cheguei…como um gato.
Corri atrás de ti pelo espaço que não conheço,
Curiosa e atenta,
Segui-te para não me sentir sozinha.
A musica as palavras, o espumante…o chocolate derretido nas tuas mãos.
O teu cheiro, o abraço, os pequenos passos de dança que improvisamos.
O sofá que nos chamava…
A luta entre a razão e o instinto,
O choque frontal
O cheiro que inebria,
O beijo mágico
O brilho dos teus olhos, onde me perco.
As tuas mãos entrelaçadas nas minhas.
O meu corpo que encaixa no teu.
Devagar sem pressas,
O tic-tac silenciado, pela noite.
Abstraio-me quanto posso.
Estar contigo, sentir-te.
A dança dos corpos
O suor que escorre em bica por nós
O desejo que não se consome
A tua respiração na minha pele.
O pulsar dos corpos que acompanha a mente.
És tu.
Finalmente Luz.
Incêndio em mim,
Em ti,
Ardemos na noite.
Deslizamos para um outro cenário.
Num abraço profundo
A tua pele é doce.
Adormeço calma,
O teu corpo é quente,
A noite abandona o espaço.
Acordo … com os primeiros raios de sol.
Tapo-te e tento não te acordar,
Da noite de sempre.
Lá fora a vida corre.
É tempo de sair, de correr de continuar…

E como tentei, não te amar.

Perdeste…
Perdeste-te…
E eu perdi-me como uma falua à deriva.
Agora já não importa.
Agora já não interessa.
As noite de luar intenso, são apenas mais uma noite.
Já não suspiro, porque sinto falta de ar.
O meu corpo antes ávido é agora um invólucro imagem, da minha alma vazia.

Perdi o leme.
Olho para trás …e imagino como poderia ter sido diferente.
As lágrimas grossas q eu chorei de culpa, por te amar.
Estraguei tudo.
Sempre que te encontrava sabia que te iria perder.
Era um labirinto real.

E como tentei, não te amar.
Fugi de ti, de mim…no entanto, ansiava cada momento juntos.
Nessa altura um coração ribombava e cada segundo era precioso.

Mas eu sabia que não podias ficar…nem eu te pedi que ficasses.
Dentro de mim uma dor imensa.
Quando partiste, arrancas-te uma parte de mim…
Hoje a tristeza conquistou o meu olhar.
Eras tu que dizias que já não existem Grandes Amores…
Porém eu sinto-me a morrer.

Choro sem lágrimas....

Ninguém pode sonhar por ti!

"Ninguém pode sonhar por ti"
Outrora tinha umas asas, eram, longas e brancas.
Voava sempre que podia, era a magia do olhar de uma criança.
Os olhos que alcançavam os sonhos as mãos que agarravam a vontade.
Naquele tempo o mundo sorria.
Havia pássaros nas árvores, pessoas nas janelas ao fim de tarde e crianças que brincavam na rua.
As laranjas eram grandes e doces…
Sentava-se debaixo da árvore e fechava os olhos.
O aroma das ervas de cheiro misturada com as rosas amarelas que abriam por completo, era único …pelo caminho de volta a casa um tapete de pétalas coloria as suas canções.
Outrora o céu era azul e os verões eram longos e cálidos.
Os risos das crianças ecoavam pelo espaço.
Os gatos estendiam-se ao sol nos telhados de zinco e nos estendais lençóis brancos.
Outrora tinha asas e voava por muitos sítios, espaços e civilizações, sempre que abria um livro iniciava uma nova viagem.
O brilho do olhar iluminava a noite…
Imaginava que falava com a lua e que ela lhe sorria.
Flor de Lua …sentia falta falta da mãe lua quando nas noites teimava em se esconder.
Chorava entre os vidros da janela e pedia baixinho: Lua conta-me uma história.
Hoje é uma mulher e perdeu as asas, hoje já não consegue voar porque tem os pés assentes na terra que agora é sua.
No entanto sonha e quando a magia, acontece um brilho intenso surge nos seus olhos … e mesmo sem asas consegue viajar.
Traz o coração nas mãos e o sonho como estandarte.

Céu Azul

As mãos seguras no corrimão de prata,
O Tejo azul na frente
Chegas e tapas-me os olhos
Sussurras-me ao ouvido…
- Anda vamos…
Corremos pela avenida e apanhamos o comboio.
Hora de ponta.
Os nosso corpos colados.
E um sorriso.
Falas-me ao ouvido, perto, tão perto que quase sinto o teu coração saltar do peito.
-Para onde vamos ?- Perguntava …
Vendas-me com a tua voz rouca e quente.
Mordo o lábio inferior.
O desejo cresce.
A porta não abre.
Ninguém saí, ninguém entra…
Como que encurralados.
Todos nos olham e nós sorrimos.
-É aqui -disseste!
Saímos a correr como loucos, de mãos dadas.
Tiraste-me a venda com um beijo e mostraste-me o teu mundo.
Senti-me assim, bem mais perto do céu azul.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A fome engana-se, a sede não!

Acho que inicialmente é o choque, o embate a realidade pura e dura …mas existe sempre uma saída, tem de existir.
A vida é assim uma busca permanente como estivesses num corredor e vai abrindo portas, umas permitem-te entrar e avançar…outras são o abismo.


Por vezes pelo caminho encontramos pessoas que por algum motivo, perderam a vista, a vontade ou têm fome

A nossa missão é ajuda-los a não cair …dar agua a quem tem sede porque a fome, engana-se a sede não.

Mesmo sabendo que não, a minha resposta é sim!

Fecho os olhos e deixo o sol entrar.
No corpo na minha alma vazia .
É a única forma de não doer.
Fecho os olhos e espero que ele me abrace devagar …
Quieta deixo que se aproxime.
Quero sentir o calor entrar na minha pele…


Uivam os cães da noite fria,
Babam enraivecidos,
Desorientados com quem lhes roubou as vitimas.
Hoje não são eles que caçam.
Quem sabe o segredo?
Quem traiu a sua raça ?

Hoje são eles os caçados.
E afastam-se da estrada.
Ontem eram eles que faziam tremer as vitimas,
Hoje são eles que submissos bebem as poças de suor de quem os domina.


Hei acorda …os ponteiros andam ao contrário, as horas andam invertidas.
A noite torna-se dia.
As sombras


Finjo que o que me doí foi apenas um sonho menos bom.
Mas as lágrimas que descem pela face, sem que as controle.
Sem querer…
escorrem pelo meu corpo,
abrindo fendas na minha alma.


Olha –me se conseguires…
Não consegues.
Não olhes para trás.

Dói-me o peito, Doí-me a alma
Dói-me o que não vivi.
Dói-me querer esperar por ti
Mesmo sabendo que não vens.
Mesmo sabendo que não estás.
Mesmo sabendo que não…
A minha resposta é sim…

Sem legendas

Aquele olhar intenso, profundo, cúmplice…
O desejo inabalável de quem ama.
Aos vinte anos tudo é tão límpido.
Os sonhos não acabam e tudo é possível.

A magia do amor.
O calor intenso do olhar….
Emociona-me o carinho,
As mãos que se tocam e se prolongam como ramos de arvores.
Uma floresta que dança ao sabor do vento

O mundo pára e ele perde-se, ao encontrar uma estrela, no olhar da amada
Ela enrosca-se no seu ombro como um gato que ronrona baixinho a palavra: amor.

Eles não sabem que jamais se repetirá, um dia atrás do outro.
Devagar o tempo passa, pensam eles…
O tempo urge penso eu.

Dois seres que se completam a sintonia a metamorfose corporal e etérea, sem legendas…

Viro as costas e prossigo o meu caminho, sorrindo… talvez um dia encontre um amor assim…

Amor Proibido

Ela entrou no quarto e em cima da mesa de cabeceira estava um envelope branco.

Dentro do envelope uma estranha mensagem que a levava a ir à janela.
Dizia que espera-se que a neblina passa-se e no pico da lua cheia uma revelação lhe surgiria diante dos seus olhos, mas teria de ser paciente.

Curiosa pegou na gata ao colo e correu para a janela ansiosa…mas a neblina teimava em desaparecer e os meses foram passando e a esperança desvanecendo entre os raios de sol e lua…mas por teimosia ou simples inspiração todas as noites esperava por algo escrito numa mensagem deixada na sua mesa de cabeceira…porque acreditava que algo fantástico iria acontecer…nunca pôs em causa a mensagem, nunca pôs em causa o que sentia no seu coração.

Os meses foram passando as luas e os dias…

Uma noite quase vencida pelo cansaço pediu à salamandra negra que a acompanhava-a na sua vigília, que fala-se consigo baixinho enquanto crepitava, estava prestes a adormecer, a gata miou e nesse momento olhou pela janela, a neblina dissipou-se e na relva verde surgiram linda flores brancas com a palavra amor…eram brilhantes como estrelas.

Nos seus olhos cansados nasceu uma lágrima de luz e pensou:
É tão bom sentirmos que alguém nos ama…e adormeceu.


Mesmo que seja um amor proibido, mesmo que o mundo nos caia em cima da cabeça quando ousamos suspirar por alguém que não nos pertence pelas leis dos homens, mas que pela lei do coração nos impele a esperar, por uma simples palavra…um poema, uma gargalhada…a simplicidade emociona.

Não são simples palavras, nunca serão simples palavras, para mim não!
As palavras são tudo o que tenho, o que me resta…Não me roubes a verdade inscrita em cada batida do coração.

Adeus, Eugénio de Andrade

Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,e o que nos ficou não chegapara afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,gastámos as mãos à força de as apertarmos,gastámos o relógio e as pedras das esquinasem esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;era como se todas as coisas fossem minhas:quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,porque ao teu ladotodas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,era no tempo em que o teu corpo era um aquário,era no tempo em que os meus olhoseram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.É pouco mas é verdade,uns olhos como todos os outros. Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,tenho a certezade que todas as coisas estremeciamsó de murmurar o teu nomeno silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de tinão há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

Se calhar...

-Porque temos de complicar as coisas?
-Afinal tudo estava tão bem.
- Porquê?

Olho para ti e falo sem palavras…

-Se calhar não estava tão bem assim.

O silêncio ao qual me resigno.
Uma pausa, como que um pensamento sobre o que dizes.

No entanto o “Porquê?” surge como que a alimentar algo que não existe.

Blá, blá, blá!!!!
Porquê?

Mas não faz mal, sabes.
Talvez as tuas atitudes te respondam às tuas questões.
Um dia quando acordares e estiveres sozinho.


Por vezes o silêncio consegue definir melhor o que sentimos.
Hoje para ti e para o mundo sou, Estátua.
Fria e silenciosa.
Sem pinga de sangue que possas derramar, porque a alma essa está ferida e nada que possas dizer a vai curar.

Falso e vão

Tenho uma dor no meu peito.
Por muito que queira andar estou presa..
Presa em ti.
Se eu pudesse ter-te a meu lado…
Se eu pudesse ser tua…
Mas não posso e nunca serei tua.
Não me pude entregar em teus braços
Mas sem saber roubaste-me o coração.
Nas noites quentes, as lágrimas caiem
Nas noites frias percorrem o meu sonho.
Sei que é loucura
Sei que devia continuar…a procurar…
Já tentei e percebi que não.
Que era apenas um engano,
Olho à minha volta e nada me satisfaz…
Nada tem a profundidade necessária.
É tudo falso e vão.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Dentro de mim cresce o amor!

no meu coração...um trilho, um espaço escondido e perdido no tempo.
no meu coração… um vulcão prestes a eclodir.
no céu as nuvens de cinza dançam esperando o momento.
as pedras, os círculos de fogo que anseiam devastar e cobrir todo o espaço marcando o principio de uma nova Era...
dentro de mim um mundo,
dentro de mim a vontade cresce sem nada consiga fazer
...cresce sem que eu consiga parar.
E confesso, não quero parar!
Um sorriso, um toque, um momento, uma voz.
Longe se faz perto, quando é grande o sentimento.
Dentro de mim a sede do beijo da vida
Dentro de mim cresce um amor, sem sentido aparente, sem destino premeditado.

Dentro de mim o amor.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quero encontrar

Não sei se é uma ilusão, não sei se é um sonho.
Caminho pelo areal na noite escura, eu , o vento e os meus pensamentos.
O mar embala o meu coração…
Sento-me imóvel e perco-me em pensamentos.
Pergunto-me tantas vezes se é um sonho… porque depois de tanta tormenta parece ser um oásis impossível de encontrar.

Com as mãos escavo um pequeno buraco, sem ter consciência eu o faço…cada vez mais fundo e fecho os olhos.

Deixo-me ficar imóvel, como uma estátua.

Dentro de mim um turbilhão de pensamentos, sentimento e emoções, penso em ti.
Penso em nós.
É um impasse…como um compasso de espera que nunca mais acaba.

Sei que daqui a pouco será a explosão,o crescente, o clímax.
Nessa altura saberei finalmente qual será o último acorde.

Até lá um suspence, entre um sorriso e uma lágrima.
Entre a felicidade e a perdição…
Pergunto será … ?
Será q chegou a hora de ser feliz?
De voltar para casa e erguer o meu mundo…construir finalmente o caminho?
Tantas perguntas sem resposta…
Tantos sonhos, tantas ilusões logradas…
Não quero desistir…não quero vacilar.

Quero…encontrar.

Ficar pelo prazer de estar

Ficar, pelo prazer de estar
Sentir o teu abraçar, entre palavras, sorrisos e beijos.
Eu e tu apenas.
Nada mais existe.
Não posso negar que não quero atravessar a barreira do sonho
Quero ficar aqui.
Acho que tenho o direito de sentir
O desejo, a volúpia das palavras, dos olhares cúmplices
Aquela luz que me fascina
Olhamos em volta e deparamos com uma sala cheia de sorrisos.
Aquele calor que se espalha, em mim.
Quero disfarçar o quanto posso, mas …Acho que não consigo!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Veludo

Tecido sensual, quente.
Cor de vulva celestial.
Agarra-se, cola-se e desliza...
As luvas que não tirei, o vestido que deixei,
Ao sabor de um vento existencial...
Os lábios que pedem um beijo,
São um segredo...
Um sonho que tive como o veludo côr,
Em pétalas da mais linda flor, mulher.
Desabrocha , no meu olhar
Deixa-me entrar no teu mundo,Tão fundo como o teu olhar.
As tuas mãos nas minhas coxas,
Procuras-me, encontras-me
Deslizas por mim...
O sussurro ao ouvido:Mais...A tua voz quente e doce o abraço lunar...
Pela janela a lua encontra o Tejo,Para no mar desaguar.Entra!

Será que foi um sonho?

Ontem à noite na praia esperei as estrelas cadentes
Elas não vieram …
Sozinha na areia apenas, fiquei.
O farol lá o fundo marcava um ritmo
De uma melodia inventada pelas ondas que beijavam a areia
As pedras segredavam
Deitei-me de barriga para a lua e deslumbrei-me com céu.
A noite avançava e eu ali quieta, imóvel.
Estava quente a noite…
Fechei os olhos,Perdida no tempo, no espaço, da melodia.
Rever o inimaginável.
Rever vezes sem conta,Inebriada…Será que foi um sonho?

Lilith, o beijo vermelho

A janela aberta permitia-me ver a lua pela janela,Estava calor...rolava na cama inquieta...os lençóis colavam-se ao corpo.
Decide tomar um duche ...vesti apenas o robe.
Voltei para a cama acendi as velas. São uma companhia...acendi também o castiçal de agua com conchas e as lamparinas ganhavam vida as sombras na parede...
O silêncio.
Aos poucos entrei em letargia e adormeci.
Um vento súbito entra pela janela e senti-o passear no meu corpo, quente e frio.Uma voz, um murmúrio ...vermelhodeixo-me ficar, não quero acordar.As mãos suaves como um dedilhar,dentro de mim um fogo cresce...vermelhopercorres a minha pele como se não existisse amanhã...devagar, sem pressa.
Abraço-te e vejo-te ...Existes...Toco-te és real.
O beijo vermelho da paixão que me tolda o pensamento.
Aqui...és meu.
Percorro-te intensamente como se eu fosse noite e tua a fogueira e ilumina os meus passos...
Toco-te, quero-te...devagar.
Sede...molhas-me os lábios com os dedos e deslizas pelo meu pescoço...de costas conquistas-me ...descendo pelas costas agarras-me.
Imóvel, ouves a minha respiração cada vez mais ritmada...que segue a tua.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Fogo quando te vejo, fogo quando te penso.
Primeiro uma leve sensação de paralisia, como um animal perseguido pelo seu predador. Depois a adrenalina que se espalha e enche o corpo, uma vontade brutal de transformar as imagens em gestos invade a cabeça.
As minhas pernas rodeiam o teu corpo, prendo-te, não te deixo mexer.Tentas, mas quando te mordo o pescoço páras, a saborear a dentada, a deixares que a dor te dê prazer. Mais do que esperavas, por isso pedes que pare.
Não devia ser assim, sussuras, mas as minhas mãos já não me pertencem, só fazem o que pedes, dão-te fogo, percorrem partes de ti que nunca ousei sonhar. Páro.Fica um dedo.
Que te percorre as costas e arrepia. Que te faz tremer, a unha na carne, a boca no pescoço. Quero-te, devagar. As pernas quentes, o resto, fogo.
Aquele fogo, sim, aquele. O que nos faz sorrir agora, o mesmo que bate em nós quando nos pensamos ou revivemos com prazer toques passados.
Viro-te para mim.
Não suporto mais a ideia de não ter o teu cabelo no meu rosto, nos meus olhos. Quero olhar-te para entrar em ti.
A tua pele é uma segunda pele, o teu corpo uma manta de seda que me cobre o desejo. Penso, adoro a forma como eles se conhecem.
E agora?
Pergunto-te se não chega assim, como se o momento fosse um sonho ou um beijo.Tenho medo da resposta.
Shiuuuu...não digas nada...
Abraço-te....com todo o meu corpo.
Como se fossemos apenas um, Dvorak toca, crescente melódico.
Todos os movimentos têm uma musicalidade em nós, as notas musicais tomam forma, uma forma distinta única, na parede as sombras dançam.
O teu cheiro entranha-se na minha pele...a sede animal desperta-me os sentidos.
Como um gato, deslizo para os lençóis, procura-me e encontra-me.
Olha-me nos olhos e encontra a noite ... as sombras dançam e o fogo arde dentro de mim.

As minhas faces rubras, o meu corpo arde como Lilith.
Entra em mim...devagar.Cresce...Desce por mim.Faz-me tua.Não encontrarás aqui submissão, apenas cumplicidade.
Amanhã encontrarás Eva, mas hoje o desejo é a única palavra.
Olha para mim...
Abraço-te, as minhas pernas no teu torço.
Agarra-me queima, arde...mais, mais...perto.
As minhas asas crescem e a plenitude do beijo eleva-me.

Caixa de Musica

Estava sentada junto à janela deslumbrada com a paisagem que se avistava.
Tinha um ar sereno e sonhador.
O sol descia devagar e a sua pele ficava arrepiada aos poucos…
O vento entrava e os cortinados dançavam.
Ela …
Dos seus olhos uma lágrima escorria pelo rosto.
Uma lágrima que só os anjos saberiam o seu sabor.
O seu corpo iluminado nos seus olhos uma luz etérea.
Levantou-se e caminhou pelo espaço abriu a caixa de música e dançou.
Sorria e dançava, como se dentro da caixa de música dormisse o seu segredo e na solidão de um espaço pudesse libertá-lo egoistamente só para si.
Escrevia cartas e guardava-as lá dentro.
Talvez um dia alguém as lê-se e as sentisse suas.
O seu coração batia por um amor escondido.
Tinha tanto medo de o perder que o guardava numa caixa de musica…
Que só abriu ao pôr-do-sol, depois do vento entrar e de lhe deixar o corpo em pele de galinha.
Era assim…é assim!

Danço para ti

Os momentos que não vivi…

Fecho as luzes e acendo a salamandra no frio da noite…
Trago a manta e espero pelo silêncio…
Deitada no sofá espero o lume erguer-se, crescendo devagar, até atingir o clímax…
Crepita por vezes e a seiva da madeira escorre fazendo uma melodia baixinho.
Fecho olhos e sinto o calor …
Imagino que estás aqui comigo e juntos olhamos o lume que nos incendeia.

Em cima da mesa um copo de vinho tinto rubro como sangue…
As flores secas que ainda em flor um dia me surpreenderam e me fizeram chorar de emoção, assistem incólumes ao tempo que passa…
Tudo tem um tempo e se enquadra num espaço.
Este é meu tempo…o tempo de arder na noite e quero sentir que estou viva e que sou mulher…
Fecho os olhos e sinto-te.
Tocas-me devagar com as tuas mãos.
Percorres o meu corpo,
Percorres o meu corpo com detalhe como se não existisse amanhã…
“Quero-te”…um murmúrio no teu ouvido…
Perco-me no teu corpo que é só meu.
E entrego-te a minha chama, porque soubeste senti-la.

As velas queimam e dançam na noite.
Como eu danço em ti…para ti.
Esta noite nada mais existe.

O abraço

Um abraço quente e macio…
A noite avança,

Enrosco-me em ti procurando refúgio para o meu corpo.

Fecho os olhos e encosto a minha cabeça no teu peito, sinto o bater do teu coração, com o mesmo compasso do meu.
A minha respiração encontra a tua…
Juntos na noite de todas a revelações, no silêncio.
Desces os teus dedos pela minha face, desviando os cabelos da cara, suavemente.
De olhos fechados sinto-te perto tão perto como se fossemos um só.
Na noite de sempre e para sempre os lençóis bancos alfazema ganham a forma dos nossos corpos.

As velas morrem aos poucos deixando o seu perfume no ar e adormeces.

Num sono profundo encontramos a paz.
A lua sorri lá fora e o mar acalmou.

Acordo com os primeiros raios de sol e aconchego-te o lençol…
A tua expressão feliz faz-me perder a vontade de sair .
Fico um pouco mais sentada na ponta da cama olhando para essa imagem.
Tão belo, tão sereno, tão feliz…

Mas a vida chama lá fora e o sol teima em rasgar a noite nua…a lua despede-se e pé ante pé na esperança de não te acordar saio. Não sem antes deixar o pequeno papel branco na tua mesa -de -cabeceira, desejando que o lesses ao acordar.

Feitiço da noite

Anseio o toque suave…
O cheiro das rosas com que me cobriste é doce e perfeito.
O meu corpo contém o rasto dos nossos sentidos perpetuados pelas tuas mãos.
Pelo teu corpo que aos poucos se mistura no meu…
Criando uma só essência de cheiros e movimentos.
O beijo que se prolonga, que desliza pelo meu pescoço até encontrar os meus seios que te desejam.
Semi-cerro os olhos entre a luz bruxuleante que nos rodeia…
Das palavras soltas nasce um poema de luz.
-Escreve-o nas minhas costas! peço-te baixinho
Os teus dedos encontram a minha pele e vais descendo por mim.

Entre pétalas e beijos fazes-me crescer mulher,

Pintas-me como ninguém… na tela no meu corpo, nasce a tua criação ao lado a tela branca espera a sua vez…sem pressas, sem tempo…

Tremo em cada toque teu…um frio na espinha acorda-me para a vaga quente que lhe sucede.
O meu mundo nas tuas mãos…
Apago todos os pensamentos e acordo no momento em que paras no fundo das minhas costas.
Olho-te em desafio, como só um gato o sabe fazer.
Levanto-me e deixo que me acompanhes o andar, com olhar.
Desafio-te em silêncio…como nunca tive coragem de o fazer antes.
Lês-me nos olhos o feitiço da noite.
A lua lá fora vela por nós…
Descubro o teu corpo sem pressas, toco-te.
Não quero que esta noite acabe…

A venda

Deixei que me vendasses…
Foi passivo.
Aquele frio na barriga estranho.
A sensação de me sentir guiada.
Dançamos noites sem fim melodias do passado e vislumbramos o presente como algo profundo
O futuro, claro, incerto.

Deixei que acalmasses a minha ira e aos poucos cresceu em mim um sentimento
Cresceu sem que o pudesse ou quisesse controlar
E todas as noites o ritual se repetia…deixei que me vendasses.

Tantas palavras, tantas emoções
A noite de sempre, para sempre.
A chama que arde.
O meu peito, o meu corpo…deixei que me percorresses, sem pensar, sem amanhã
Deixei que o prazer tomasse conta de mim
Vendada…

Consigo ver sem olhar
E não quero olhar…
Não quero ver os teus olhos que brilham mais do que estrelas.
Não quero recordar…
Quero sentir.
Quero viver.

Quero que me libertes de mim própria e de todas as dores, de todas as lágrimas…desejos profundos.
Desejos de um amor impossível
Entreguei-te o meu corpo…mas não me entreguei totalmente.
O que que conheces é a pura ponta de um iceberg…muito mais está para vir, se vier…

O que me pode fazer voltar atrás…quando estiver à beira do precipício…vendada…sentir que caminho vou tomar.

Um dia poderás dizer que me conquistaste…

Lindas Laranjas

De que nos serve possuímos laranjas lindas e perfumadas se depois não têm sumo nem sabor?

De que nos serve prometer Andromeda se sabemos que nunca lá poderemos chegar?

De que nos serve semear uma flor se sabemos que ela não vai criar raízes e transformar-se numa roseira?

De que nos serve fugir se sabemos que vamos voltar?

De que nos serve prometer o que não podemos cumprir.

Prefiro não ter, a ansiar por algo que nunca irá acontecer.

o que sinto por ti cresce em vez de morrer.

Sinto-me perdida…
Não sei o que fazer com o que sinto,
Começa a doer demasiado.
Ardem as lágrimas no silêncio da noite fria.
Uma vela acesa no quarto,
Não chegas…por mais que olhe para o relógio, sei que não virás.
As lágrimas escorrem pelo meu corpo nu, que te deseja.
Ardo sozinha na cama vazia entre os lençóis.
Mas apenas o vazio, o silêncio.
Agarro-me as tuas palavras às tuas mensagens deixadas, escritas para mim.
É tudo o que tenho…
Recordo a tua voz do outro lado do tempo e como sou feliz nesses instantes.

A ausência, o desconforto e de uma noite que sucede uma após a outra…
São todas iguais.
Mas o amor cega-nos e faz-nos viver do sonho.
Quero viver do sonho, mas não no sonho.

Cresce esta angústia de não te ter.
Porque o que sinto por ti cresce em vez de morrer.

A duvida

A duvida…
Perante a duvida…
Que fazer?

Mantenho-me quieta como estatua distante mas presente.
Observo –te e tu nem me vês…
Nos corredores da memória encontro-te

Agora num espaço diferente, numa noite de acaso.
Ao acaso lançamos palavras e sorrisos
E num momento de magia o meu olhar prendeu-se ao teu.

A rosa vermelha no cabelo,
O vestido negro justo que revela as formas de mulher…
Antes menina antes estatua renascentista.
Hoje marcada pelo tempo, pela vida…
Sensível e cruamente madura.
Abaixo dos joelhos que tremem e tento disfarçar enquanto me levanto da mesa onde deixamos os flutes de champanhe no reencontro da vida.
Nesse momento em que o mundo pára e somos nós…

As pétalas das rosas vermelhas largadas na mesa branca, perfumam o ambiente.
Pegas-me na mão e percorres o meu braço…contornas a mesa e aproximas-te sem uma palavra.
Apenas os teus olhos que dançam com os meus na noite.
O brilho intenso e agarras-me abraças-me e percorres o meu pescoço…devagar.
Tento libertar-me mas tudo o que consigo é que prossigas o caminho pelo meu pescoço …de costas para ti.

O meu coração dispara…
O teu acelerou mas o ritmo não é mesmo…
Respiro, inspiro o cheiro em mim.
Desejo-te sim…

O vestido

....

- Anda, dá-me a tua mão.
Descemos da casa e o frio fazia-nos rir...
Corremos pela floresta até nos cansarmos e alcançarmos a clareira do
outro lado…fizemos coroas com hera, à luz da lua.
Os sons da noite lançaram o mote e começamos a dançar...
Um convite, uma vénia e rodopiamos, não paramos de rir.
A lua estava linda, iluminava-te os cabelos soltos.
Olhei para os teus olhos e beijei-te docemente.
Quantas vidas terão de passar para
sermos um só?
- Anda vamos,
Andei até ao lago...
- Anda...
Despi o vestido branco
Os nossos corpos quentes depressa gelados pela água ficam hirtos de
poesia...as nossas almas geladas depressa ardem.
Pegaste em mim com doçura, beijei-te languidamente, dentro de água.
À nossa volta as árvores deixavam cair as suas folhas como se de magia
se trata-se, pois o vento não soprava.
Mergulhamos de mão dada.
Não te queria perder.
Nadamos até à pedra outrora quente estava fria.
O meu corpo outrora frio, estava agora quente.
Pegaste em mim e pousaste-me cuidadosamente em cima dela, como uma boneca de porcelana frágil.
Nesse momento os teus olhos queriam mais e os meus sedentos de ti.
Trouxe a tua mão até aos meus seios...
Ensinei-te o caminho do meu corpo.
Devagar, entraste em mim, enquanto o sol nascia.

Pequenos tesouros

Fechar os olhos...
Sentir a tua pele nas minhas mãos...
Seda ...
Perder-me no verde dos teus olhos.
Sentir o cheiro das florestas encantadas de desejos e histórias profundas e belas.
De olhos fechados, sempre de olhos fechados,
solta-se um sorriso nos meus lábios,
fruto da minha emoção...
Um simples toque e sinto surgem tantos mundos, tantas sensações...
Num simples toque, o universo, parece infimo.
Eu pequena particula de alma sorriso, apenas um sopro de existencia...
Encontro-me num espaço só nosso.

De olhos abertos...
Descobrir novos mundos, novas imagens de criação.
Reinventar, desenhar imagens em paredes de tempo invisiveis.
Conseguir captar os cheiros, odores e emoções.
Histórias de tempos recondidos, escondidos e encontrados,
Tratá-los como tesouros...
Mensagens de beleza éterea, a pairar sobre as nossas cabeças.
Sinto-me ...sinto-te...sem te tocar.
Apenas um olhar felino, que se cruza de relance na noite...
Os teus olhos, que deslumbram os meus.
Uma imagem, não é apenas uma imagem.

Os sons...
As ondas do mar são melodia ...
O rasto de pegadas...
Não olho para trás.
Caminhar, sempre em frente.
Contornar obstáculos, não, não avançes...
Desistir?
Não, apenas ter perfeita noção de até onde podemos ir.
Este é o nosso limite.
Voltar...encontrar o caminho de volta.
É tão bom estar de volta.

A luz...
Abraçada a ti...apenas para sentir o teu calor.
O conforto dos teus braços, a segurança que me dás,
Mesmo na escuridão,
Não nos perdemos da luz.
Não tenho medo das palavras,
Não tenho medo das sombras.
A luz vive agora dentro de mim, de ti!
Eu acendo o archote e tu caminhas ...
Sempre que dás um passo, acendes uma chama.
Olha agora!
Vês o caminho de luz que criaste?
Um dragão de fogo desenhado, na imensidão da noite.
Os lobos uivam,
As sombras dançam, em tons de azul.
Foste tu, meu Senhor que as libertaste.

São livres para seguir o seu caminho.

O azul e o vermelho, o verde e o castanho...
Degradé uma paleta de cores.
Este é o momento em que os mundos fluem e se libertam.
Sou floresta e mar.
És terra e fogo.

O prazer de sentir, sem medo que o mundo nos caia em cima.
O prazer de sentir, as horas como se fossem minutos.
Não existe tempo, nem espaço...
Existe a noite que nasce em ti e desagua em mim.
A lua espreita por entre as cortinas de nuvéns e brinda-nos com a sua magnitude.

A lua testemunha da nossa humilde criação...
Apenas a lua pode contar a nossa história:
A mais bela obra do mundo, que se chama, amor.

Um só sentido

Um só sentido

Quero fechar os olhos…
Quero dormir tranquilamente…
Imaginar que estás aqui…junto a mim.
O teu corpo quente.
Sinto-me segura em ti.

Os momentos são os momentos e nesse um momento és só tu e eu…um só ser um só espaço um só sentido.
Na cama fria dois corpos que sentem e dialogam sem palavras…momento de movimentos etéreos e de profundas designações.

Fecho os olhos durante o dia que se assola triste, enquanto a tua voz não chega…o mundo não acorda.
Apenas de olhos abertos caminho esperando o calor que me desperta.
O dia de chuva recebe o sorriso do sol ardente de desertos recondidos.
A beleza eterna da felicidade, tatuada em mim, tatuada nas estrelas que nos cobrem, durante a noite e nos fazem inverter o sentido das horas…
O sentido do mundo…em troca da pura felicidade…sem porquês…sem mas …sem ses!
Apenas tu e eu…a lua as estrelas e o sol radioso apesar da tempestade que teima em ficar por perto.

Vento mensageiro

Encho a minha pequena mão de beijos.
Lanço-os ao vento,
na esperança de te encontrar,
no meio desta cidade.

As pedras e as sombras,
Serão decerto contornadas.
Pelo vento mensageiro,
em que acredito de verdade.


Que os recebas e os sintas,
Como pétalas de rosa,
Docemente...
Largadas ao vento,
para colorirem o mundo!

Ode Amor

Uma palavra de encantamento…
É real, o amor, existe e sente-se.
Poucos serão aqueles que o conhecem realmente.
O amor não se extingue, o amor é eterno.

O amor é tudo o que temos, quando nada mais nos resta.

O amor não uma palavra é uma formas de vida e espaço reservado apenas a alguns que convidamos para nossa casa.
O amor é a lei do clã.
Os amados: a família e os amigos.

O verdadeiro amor não se mistura com paixão.

A paixão encandeia-nos e deixa-nos tomar atitudes irreflectidas.
Faz -nos perder o juízo e tecer com palavras quentes e andar de faces rubras.
Mais a paixão é vã… como um romance que se lê e se põe na prateleira e raro é, decorarmos a história lida com tanto fervor.

Aos meus amigos, aos meus filhos, aos meus pais dedico o amor:
Puro, verdadeiro, cristalino, universal.
Sem ele somos órfãos …
Sem ele perdemo-nos na escuridão.

O amor é profunda luz.

A noite é eterna

Um olhar na noite…
Surgiu, cresceu…
A memória de um beijo…num espaço tudo menos comum…
A batida cardíaca que acelera…sem q a possamos entender…
Perto, perto …
Fugi, evitei mas cedi.
Na noite de todas as dúvidas surgiu a certeza.
De um simples beijo cresceu uma paixão desenfreada.
Fechar os olhos e sentir-te…
Fechar os olhos e sentir que o mundo pára.
Não consigo parar de sorrir…
Um sorriso de criança.
Em mim…o amor.
As asas que há muito perdi…voltei a ganhar.
Os sorriso de quem me ama…não vou esquecer.
O peso do mundo nas minhas costas.

Olho para ti…
Olho para mim…
E tudo o que vejo, tudo o que sinto é plenitude, tranquilidade e uma vontade de devorar o mundo.
Sei que não gostas de perder…eu também não.
Por vezes o que parece ser uma batalha perdida, é apenas uma forma de ganhar a guerra.

A distancia do que nos separa é uma rua, um caminho…o olhar que nos aproxima a balança a justiça cega de quem apenas sonha em ser feliz.

Em breve todas as palavras…todas as emoções…em breve tudo irá terminar.
Eu sei, tu sabes.
Mas enquanto a sentença não chega, a noite é eterna.

Febre

Esperavas por mim… entre um golo de vinho e um morango vermelho.
Esperavas e despias-me com o olhar.

Aos poucos enquanto o tempo se lançava à nossa frente tirei a venda.
Caminhei por um tapete de pétalas, caminhei até à cama de lençóis de cetim, as pétalas indicavam-me o caminho.

Uma febre, assola o meu corpo.
Fecho os olhos e sinto-me a tocares-me devagar.
É como sentir de facto o sol e a lua num só.
As tuas mãos deslizam por mim, como a água das cascatas pelas pedras.
Em uníssono, o murmúrio das vozes quentes.
Em o uníssono as estrelas do céu e do mar dançam à nossa volta.
Preciso de ti.
Quero-te tanto...
Saboreio o sal da tua pele.
Saboreio, cada pedaço do sal da vida.

Doce amargo aquele chocolate que desliza pela minha pele…escorrem as palavras de sonho nas minhas costas…escorre como o sangue nas minhas veias, forte e denso.

A noite avança e não penso no amanhã…o amanhã é longe demais.
Despida


As folhas caiem...
- As primeiras folhas de Outono!
Lançam -se em queda rodopiando,
no seu ultimo suspiro de prazer.

Foi uma vida bela,
Aquela mãe arvore foi um bom abrigo.
Está na hora de partir,
Para na Primavera de novo surgir.

A mãe arvore está cansada
e agora tem de ir dormir.
Suspensa fica a vida
Durante o Inverno ...sonho apenas dormir.

- Sou filha do Outono!
A primeira chuva,
já começou a cair
Lágrimas que se fundem com gotas...

Gotas de chuva...
Hoje a chuva caiu
Como elixir de magia,
Senti-me uma arvore.
Simplesmente...despida!
Beltaine

Se ao menos eu te pudesse tocar.
Por um segundo...
Passar a minha mão pela tua face...
Olhar-te nos olhos e dizer-te:
Sou tua!

Se ao menos eu te pudesse sentir percorrer, o meu corpo.
Se ao menos a lua e o sol se pudessem cruzar nos céus...
Mas o eclipse vem longe.
Resta-nos Beltaine.

Serás o Artur, e eu a Morgana...filha, mãe , amante...todas as mulheres numa só.
Serás tu ou ninguém.
Naquela noite em que o brilho do sol avança pela noite,
A luz da lua espelha os desejos, estarei a teu lado.
Vem ... depressa!
O outro lado do espelho

As lágrimas já não caiem como folhas de Outono.
Sequei-as devagar...
Agora apenas o meu coração chora,
Encontras nos meus lábios um leve sorriso...
Mas os meus olhos vagueiam.
Vagueiam sem se prenderem em nada

Talvez um dia consiga sair do outro lado do espelho.
Talvez um dia alguém me veja e sinta como sou.
Talvez um dia alguém me ame,
Incondicionalmente sem me prender...
Sem me julgar, sem me querer mudar!
Apenas me ame pelo que sou.

Espero apenas pelo amanhã!

E às vezes o amanhã parece que nunca chega…